Confiram abaixo um novo capítulo de “Undisclosed Desires”. Caso você não tenha lido os capítulos anteriores, clique aqui e leia.

Eu quero reconciliar a violência no seu coração

Eu quero reconhecer a sua beleza, não só uma máscara

Eu quero exorcizar os demônios do seu passado

Eu quero satisfazer os desejos secretos do seu coração

Muse

~XX~

POV Bella

Tola fui eu que pensei que poderia manter uma relação com Edward apenas sexual. Sexo com ele era ótimo. Mas eu estava irrevogavelmente apaixonada… Por ele. Tudo era bom. Seus lábios brincando com os meus com delicados toques. Sem línguas, sem pressão… Apenas nossos lábios brincando juntos. Ou um beijo avassalador, cheio de línguas, chupadas e mordidas. Eu amava quando me pegava por trás ou apenas me abraçava, beijando do meu ombro até meu pescoço, mordiscando, lambendo… Sussurrando coisas chulas ou palavras bonitas.

Seu corpo me imprensando contra uma parede, seu vício pela minha bunda e a tara pelas minhas pernas. Ou nus, suas mãos passeando livremente dos meus seios ao meu centro, fazendo cosquinhas gostosas no meu ventre. Eu gostava do sexo quente, bruto, de me deixar sem forças e feliz. Também ficava com o estômago cheio de borboletas quando ele me acordava, de lado, lentamente, apenas sentindo, explorando. Sua respiração no meu ouvido, seu corpo firme me segurando… Era o sétimo céu.

Em compensação, adorava conversar sobre qualquer besteira, ler algum livro juntos, deitar no sofá e dormir. Acordar enroscada nos seus braços e logo eu que odiava invasão de privacidade. Eu penso que ele é a minha privacidade, como se fosse parte de mim. Gostava de tomar banho e vestir alguma roupa dele só para ter seu cheiro… E tudo nessas semanas que estamos casados, mudou tudo. Fico me perguntando até que ponto meu coração vai sair inteiro dessa história.

- Bella? – Edward chamou-me e sai dos meus devaneios. Não sei quanto tempo estava parada de frente ao espelho, só de roupão depois do banho. Nós já estávamos na Alemanha. – Bella? Onde você está?

- Banheiro. – respondi baixo, sem encontrar minha voz. Edward tinha ido do aeroporto direto a uma reunião, porque nosso voo atrasou e fiquei sozinha no hotel. Ele não estava feliz com a nossa separação momentânea, muito menos eu.

- Oi você. – sorriu olhando-me pelo espelho.

- Oi… Tudo bem? – perguntei sorrindo levemente. Eu ainda me sentia estranhamente embaraçada e excitada com meus pensamentos. Meu rosto ficou em uma tonalidade rosa, com um blush natural.

- Bella? – Edward inquiriu se aproximando, com a sobrancelha arqueada, sorrindo para meu rubor. – O que foi? O que você fez nesse meio tempo?

- Apenas pensando… E tomei um banho para sair do efeito do remédio. Acordar um pouco. – sussurrei ficando com a respiração um pouco curta, conforme ele ia me empurrando cada vez mais na pia do banheiro. Seu braço serpenteou minha cintura e ele se inclinou para tirar meu cabelo do caminho e beijar meu pescoço.

- Pensando em quê? – sussurrou escovando os lábios na minha pele sensível. Eu me arrepiei por completo e ele gostou disso. Sua mão que me acariciava por fora do pano felpudo do roupão, estava caminhando pela minha pele, apertando um pouco, alisando ou apenas encostando. – Compartilhe comigo…

- Estive pensando na nossa lua-de-mel – murmurei entrando no jogo.

- Ela ainda não acabou. – disse empurrando um pouco da sua ereção pra mim, prova real de que nunca iria acabar.

- Eu sei… Mas estive lembrando alguns detalhes importantes. – ronronei movendo meus quadris um pouco e ele silvou baixo. – Apenas repassando…

- Repassando o quê? Eu possivelmente posso ter esquecido. – provocou mordendo meu ombro e abri meu roupão, deixando cair aos meus pés e arqueei a sobrancelha – Não me lembro de nada. – continuou fingindo inocente. O canalha não tirava os olhos do meu pescoço pra baixo, sorrindo torto.

- Nadinha? – perguntei e ele negou, como uma criança obediente – Tudo bem… Acompanhe-me. Eu vou te ajudar a lembrar… – sorri virando-me de frente para beijá-lo levemente.

- Sério? – brincou

- Que espécie de boa esposa seria ao deixar meu marido no escuro? – respondi rebocando-o para o quarto. Fui surpreendida por ele virar de repente e me pegar no colo, para estabelecer na cama com cuidado – O que…?

- Lembrei… – sorriu torto inclinando-se para me beijar, meus dedos ágeis já estavam trabalhando nos botões da sua camiseta, empurrando para longe do seu corpo. – Alias, como poderia esquecer o quão linda, sexy e gostosa você é na cama?

Meu coração bateu de forma descompassada com essa declaração. Sorri completamente excitada, querendo arrancar a roupa do seu corpo a todo custo. Sem preliminares. Apenas eu e ele, unidos na cama, dançando… Movimentos juntos. Buscando nosso prazer. Eu amava a maneira que ele me deixava abraçar seu corpo, para entrar e sair lentamente, apenas sentindo, deslizando, acariciando, ondulando juntos. Nós chegamos ao orgasmo… Eu primeiro, depois ele. Caímos na cama, ainda conectados. Eu não queria soltá-lo nunca mais.

- Bem vindo de volta. – sussurrei ainda ofegante depois de descer do meu delicioso orgasmo que foi se construindo lentamente, para explodir de forma intensa.

- É bom estar em casa. – provocou beijando meu pescoço – Minha casa é seu corpo. Não existe outro lugar no mundo que queira entrar e sair – provocou e eu ri, ruborizando um pouco.

- Bobo… – suspirei fechando os olhos. Minha mente ainda estava mergulhada no prazer – Como foi lá?

- Preciso fazer aulas de Alemão. Coisa chata não entender nada. – brincou beijando meu templo – Foi tranquilo. Eu odeio esse lugar. Ainda bem que iremos embora amanhã cedo.

- Devemos começar a nos arrumar para ir ao banco? – perguntei apoiando o queixo no seu peito.

- Daqui a pouco… Sem pressa. O gerente está nos esperando pela parte da tarde. – respondeu-me fechando os olhos. Ele estava ansioso e nervoso. – Eu não sei mais o que pensar…

- Nós devemos ir… Apenas ir e descobrir o que pudermos. – sussurrei acariciando seus cabelos. – Nada vai acontecer… Eu vou começar a me arrumar, descansa um pouco que daqui a pouco te chamo…

- Quer tomar banho comigo? – abriu os olhos sorrindo torto, com os olhos queimando perversão. Eu ri e saí da cama direto para o banheiro com ele no meu encalço. Edward queria esquecer as coisas com sexo… Enquanto isso fosse bom pra mim, tudo bem.

Mais tarde estavamos prontos, agasalhados, no lobby do banco, esperando o gerente. Até na Alemanha os fotógrafos abutres estavam nos perseguindo. Conseguimos desviar a atenção com dois carros iguais, sendo um deles preenchido por dublês nossos. Não queríamos nenhuma atenção da mídia para nossa presença nesse banco.

Edward estava quieto e sua mão estava gelada e suada. Ele começava a pensar e apertava meus dedos sem nem perceber e depois relaxava para fazer de novo. Ficou um ciclo vicioso até sermos chamados por um representante bilíngue que nos acompanhou com o gerente que só falava em Alemão… Um pouco complicado.

- Existe uma pessoa que gostaria de lhe ver. – o tradutor repetiu e Edward ficou tenso imediatamente.

- Não queremos ver ninguém. – Edward disse entre dentes, me puxando para ficar atrás do seu corpo.

- Calma, rapaz. – um senhor de idade bem avançada disse com sotaque forte e entrou na sala devagar, usando uma bengala – Desculpe meu inglês, é péssimo.

- Quem é você? – Edward perguntou fazendo uma barreira entre o homem e eu.

- Fui o gerente do seu pai nesse banco… Quando a conta foi reativada, eu fiquei esperando você aparecer. – respondeu sentando-se à mesa a nossa frente. Ele falou algo aos dois homens que nos acompanhavam e eles saíram. – Sentem-se… Esperei você por muitos anos, Edward.

Edward sentou-se devagar e eu fiz o mesmo. Nós ficamos em silêncio esperando o homem falar.

- Seu pai sabia dos planos que estavam sendo armados contra sua vida. – disse baixo – E por isso, dei a ideia de congelar seus bens.

- Você sabia que ele…? – perguntei assustada

- Nós planejávamos que ele não fosse morrer ao sair daqui. – respondeu-me olhando nos meus olhos. Ele era um homem de expressão rígida, marcada pelo tempo, mas um olhar doce. Quase juvenil – Edward veio até aqui deixar uma caixa com alguns pertences pessoais, documentos e um pequeno vídeo.

- Por que meu pai procurou você? – Edward perguntou secamente. Eu entendia porque ele estava cético. Sebastian tinha sido uma surpresa enorme.

- Ele queria guardar umas coisas… Ele escolheu este banco e por isso, resolvi ajudá-lo. – deu os ombros – Ele me lançou a incumbência de estar aqui no momento que você precisasse.

- E o que ele deixou para meu marido? – perguntei ansiosa.

- Você. – respondeu enfaticamente.

- Eu?

- Edward deixou o casamento para seu pequeno garoto. Ele disse algo como “Há males que vem para o bem”. – sorriu torto – Vamos abrir sua caixa. Você saberá muito mais do que eu. Além do mais, meu dever era certificar de que você está realmente casado ou era uma farsa. Porém, a maneira que você quis proteger essa linda mulher já me bastou. Como você chegou até aqui, filho?

- Nós seguimos as pistas… – Edward murmurou.

- Ele mencionou algo como dar pães a João e Maria, mas não entendi. Não sei o que é isso.

- É clássico da literatura. – respondi baixo, segurando a mão tremula de Edward. – Você poderia nos dar alguma privacidade?

- Tomem seu tempo… Esse é meu cartão, pedi para o rapaz traduzir as informações para vocês. Perdoem se falei algo errado, minha língua não é muito boa. – respondeu levantando-se e entregando um envelope pequeno – Todo homem tem um calcanhar de Aquiles, meu jovem. Pense nisso.

Assim que ele fechou a porta, nós abrimos a caixa azul de ferro que estava a nossa frente. O conteúdo dela era variado. Encontramos uma fita VHS com a inscrição “Pequeno Príncipe”. Tinha uma série de pastas de arquivos com documentos que logo reconheci serem aqueles que faltavam nas pastas em Nova Iorque. Também encontramos sua carteira com registro civil, passaporte, recibos, fotos de Esme e Edward e sua aliança de casamento… Com Esme.

Tinha uma foto de um bebê pequeno, enrolado em um manto rosa, com uma data, provavelmente do seu nascimento na parte de trás. Tinha um álbum recheado de fotos de Esme e Edward e era uma coisa tão estranha que ás vezes eram fotos com toda a família Cullen (Rosalie e Carlisle) e o rosto deles estava riscado. Por vezes haviam colagens dos três juntos…

- Que diabos é isso? – Edward sussurrou assustado. Era aterrorizante!

- Você sabe por que seus pais se separaram? – perguntei analisando as fotos e a aliança com o nome de Esme.

- Minha mãe dizia que tinha acabado o amor. – deu os ombros – Acho que só da parte dela… – completou meio chocado. – Isso é insano, Bella. Eu achei que meu pai amava Elizabeth. E esse bebê, quem é?

- Faço a mínima ideia, Edward! – respondi meio irritada – Nasceu em Seattle… No dia 12 de junho de 1993.

- Eu mal lembro… Sei que meus pais já estavam separados a essa altura. Ele já era casado com Elizabeth. Ele casou com Elizabeth logo depois que o divórcio saiu… Isso demorou pouco tempo. – divagou olhando a foto – Seria uma filha dele? Um dos casos extraconjugais? Será que vamos conseguir encontrar essa menina, que deve ter 19 anos agora… Provavelmente mora em Seattle…

- Teríamos que pedir a ajuda de um detetive. Talvez Jenks possa cuidar disso, ele mora em Seattle, lembra?

- Vamos levar essa caixa inteira conosco… E arrumar alguma coisa com VHS. – murmurou guardando os conteúdos.

- Não aqui. Em casa… Se pedirmos um VHS no hotel, pode chamar a atenção e eles adoram comentar sobre nossos pedidos, o que fizemos ou deixamos de fazer. Precisamos ser cautelosos. – disse firme, ajudando-o a guardar.

- Você tem razão… – suspirou fechando os olhos por um momento – Quer ir embora hoje? Eu estou louco para sair daqui.

- Sim… Peça para preparar o avião. – respondi sinceramente, beijando-o na face. Ele virou e colou nossos lábios de maneira delicada por um longo tempo. – Foi uma boa ideia não desfazer as malas. – brinquei e ele sorriu torto, beijando-me novamente.

- Obrigado.

- Pelo o quê, Edward? – perguntei confusa, olhando nos seus olhos.

- Por tudo. – deu os ombros, sorriu um pouco e seu olhar estava triste.

.~.

Chegar em casa nunca foi tão bom… O problema era que ainda não considerava a casa de Edward como minha casa. Era estranho pensar e assimilar que eu morava ali e era a Sra. Masen que todos os empregados estavam esperando por instruções. A governanta, Dora, disse como tudo era feito e eu concordei, mudando apenas algumas coisas no cardápio do dia-a-dia, mas nós dificilmente iríamos almoçar em casa.

Edward aceitou um remédio para dormir durante a nossa volta pra casa, porque ele estava me dando nos nervos, de verdade. E assim que pisamos em casa, ele subiu para continuar dormindo porque talvez eu tenha dado uma dose a mais, não me culpem, o homem era uma dor na bunda quando estava nervoso e eu não estava com paciência.

Desfiz as malas, arrumei o armário e algumas roupas para dar, outras para ajustar e algumas para lavar. Dora foi doce ao me ajudar carregando tudo para a lavanderia e como em meio a conversas, ela me disse que tinha uma filha adolescente, mandei algumas roupas de presente. Eram todas nunca usadas… Eu tinha essa mania de comprar mais do que devia.

No meio do meu banho, a pessoa que eu tinha casado tinha acordado de péssimo humor. Ele invadiu meu tempo, aqueceu mais a água do que eu gostaria, usou o meu xampu quando eu ia usar e ainda reclamou que eu estava ocupando muito espaço.

Acho que ele percebeu o quão chato estava sendo e por isso me encheu de beijos, pedindo desculpas. Jantamos na varanda do lado esquerdo da mansão, dava para a piscina e o pôr-do-sol era magnifico. Eu estava maravilhada com a beleza.

- Bonito, não é? – serviu-me mais vinho e beijou meu rosto – Imaginei que fosse gostar.

- É perfeito. Poderíamos jantar aqui todos os dias.

- Tudo o que você quiser, linda. – sorriu e joguei meus braços no seu pescoço e o beijei apaixonadamente – Devemos avisar a nossa família que chegamos?

- Não sei… Precisamos trabalhar amanhã. Eles vão descobrir de qualquer modo. – respondi e ele me puxou, indicando que queria que sentasse no seu colo. Rapidamente obedeci, sendo abraçada apertado – Melhor ligarmos… Sua mãe pode ficar chateada. Isso se não fomos vistos no aeroporto… Sabe como são esses paparazzi.

- Tudo bem. Antes de dormir, vou ligar… – respirou fundo, deitando a cabeça no meu ombro, brincando um pouco com o nariz na minha pele – Você quer fazer alguma coisa?

- Estou um pouco cansada dessa maratona, amanhã acordamos cedo. Quer assistir um filme?

- Na sala de cinema? – perguntou animado

- Não, na cama. No quarto.

- Bella, assistir filme vai ser a última coisa que iremos fazer se estivermos com pouca roupa e muita disposição. – respondeu com aquele brilho de maldade que eu tanto gostava.

- Podemos tentar… Colocarei uma calça jeans… – murmurei tentando não rir.

- Não… – estalou colocando a mão dentro da saia do meu vestido. Mordi os lábios esperando a reação dele ao descobrir que estava sem calcinha esse tempo. Edward tocou-me e então recuou, me olhando nos olhos. Bati meus cílios inocentemente e sorri – Vamos! – levantou comigo no seu colo. Quase caí – Vamos assistir a esse filme logo! – disse me rebocando pela casa até o quarto. Comecei a ter crises de risos que morreram no segundo que a porta foi fechada e meu vestido foi rasgado.

Nós batizamos nossa cama pela maior parte da noite. Eu estava sem forças, dolorida e feliz demais. Acordei mais cedo para usar a academia, malhei por duas horas seguidas e Edward já estava quase pronto no momento que retornei ao quarto.

- Bom dia!

- Você me abandonou na cama. – resmungou me lançando um olhar emburrado – Era para ter me acordado. Virei na cama e vi que estava vazia.

- Edward… – respirei engolindo a respostinha mal criada que se formou na ponta da língua – Eu malho todos os dias de manhã. E vou entrar em contato com meu personal e a partir de amanhã ele irá me acompanhar aqui. – disse tirando minha roupa suada e joguei no cesto no canto.

- O quê? Personal? É homem ou mulher? – perguntou irritado

- Eu falei mil coisas e você prestou atenção só nisso? – perguntei ultrajada, reprendendo meu cabelo para poder tomar banho. Eu iria ignorá-lo.

- É homem ou mulher, Isabella? – perguntou mais alto e mais irritado.

- Homem. Alto, moreno, musculoso e gostoso. Chama-se Paul. Por quê? – rebati sentindo meu corpo ferver de raiva.

- Por quê? – debochou – Por quê? – bufou quase arrancando os cabelos – Nem nos seus sonhos que um homem vai entrar aqui para ver você malhar! – gritou quase se enforcando com a gravata, até que tirou e jogou longe.

- É o quê? Qual o maldito problema? – gritei de volta.

- Você é minha mulher e não vai ter porra de macho nenhum do caralho olhando sua bunda ou qualquer parte do seu corpo que me pertence! – respondeu com a voz falhando de tanta raiva. Seu rosto estava vermelho e os olhos quase saltando fora. Resolvi recuar a briga antes que o divorcio saísse.

- Edward… – respirei fundo aproximando-me – Eu sou casada com quem?

- Comigo. – respondeu fazendo bico feito criança – E eu não quero você com homem nenhum. Eu odeio qualquer homem perto de você!

- Ele é gay, Edward. Ele vai ficar interessado em você. – suspirei revelando o que não queria. Edward precisava controlar essa possessão maldita. – Que inferno! – bati a porta do banheiro e tranquei.

Quando finalizei meu banho, Edward estava longe de ser visto no quarto. Terminei de me arrumar rapidamente e desci para tomar café, foi onde o encontrei lendo jornal, completamente em silêncio. Se ele queria ficar de palhaçada, que o problema fosse exclusivamente dele.

- Você está pronta? – perguntou-me meio seco.

Não respondi, ia no meu carro, sozinha. Levantei, peguei minha bolsa no canto, dei tchau a Dora e as outras meninas quando passei pela cozinha entrando na garagem e puxei a chave do meu carro no painel dentre muitas outras e de muitos outros carros importados que Edward possuía.

- Isabella, aonde você vai? – Edward perguntou bufando.

Não respondi.

Entrei no meu carro e abri a garagem, arrancando fora sem nem olhar para seu bonito rosto irritado ou teria um orgasmo. Eu devia ter um problema sério, não é possível! Estou chateada com esse comportamento, mas tudo que realmente penso é dar um jeito de ficar sem calcinha e fazer sexo com o homem irritado que estava me seguindo em alta velocidade em seu bonito Volvo preto.

No trânsito maldito da cidade, Edward ficou perto várias vezes e tenho certeza que ele estava olhando através do seu vidro fechado. Inferno, o meu estava aberto, e eu estava fazendo cara de desentendida ou sorria cinicamente. Na Masen, minha vaga sempre tinha sido do lado dele e isso só foi ruim no presente momento. Eu teria que olhar na cara dele e Deus me ajude em não gemer.

- Qual o seu maldito problema? – Edward rosnou batendo a porta do seu carro com força.

- Estou te ignorando, não percebeu? – rebati ajeitando minha roupa e minha bolsa e segui em direção ao elevador, mas virei o pé no meio do caminho e cairia no chão se ele não tivesse me segurado. – Obrigada.

Sem falar mais nada, entramos no elevador. Ele ficou atrás de mim por um tempo e de repente, apertou o botão para parar o elevador. Quando virei para iniciar mais um discussão, minha boca foi calada bruscamente e meu corpo imprensado contra a parede fria do elevador. Eu gemi vergonhosamente quando sua língua tocou a minha.

- Não me ignore, Bella. – Edward sussurrou escovando seus lábios nos meus – Desculpe, eu não quis ser grosseiro com você.

- Tudo bem… – gemi para a minha vergonha novamente quando seu corpo me apertou ainda mais contra parede – Está tudo bem. Edward… Melhor irmos ou vamos transar no elevador para a segurança inteira ver.

- Não mesmo. Eu sou o único a ver você, Bella. – sorriu visivelmente mais calmo – Vamos, minha linda. – beijou-me novamente e liberou o elevador. Nós ficamos abraçados no canto e alguns funcionários ficaram completamente ruborizados e com sorrisos tímidos ao nos ver de volta.

No nosso andar, para a minha vergonha, fomos aplaudidos com muitas felicitações de bem vindos. Claro que a maior parte foi pelo puro prazer de puxar o saco. Eu estava com saudades da minha assistente. Charlotte me recebeu muito bem e eu quase chorei quando vi minha nova sala, ao lado da do Edward e mil planilhas e contratos em minha mesa.

Jacob passou cerca de três horas sentado a minha frente, explicando detalhes por detalhes de tudo que tinha perdido durante meu período de lua-de-mel. Eu estava parcialmente focada nisso, a outra parte estava pensando sobre Jéssica Stanley fazendo o mesmo em portas fechadas com meu marido. O ciúme começou a corroer pelas bordas, criando inúmeras situações a minha mente.

- Sra. Masen, assim que Charlotte terminar de ajudar o Sr. Masen, peço para vir vê-la? – Jacob disse me cortando dos devaneios.

- Char está com Edward? – perguntei meio embasbacada.

- Sim? Quer dizer, ela estava confirmando algumas coisas… Tendo uma pequena reunião. – murmurou meio confuso – Não era para estar?

- Oh, sim. Tanto faz… Pode ser, obrigada pela ajuda Jacob. – sussurrei desconcertada – Traz um café bem forte com canela pra mim?

- Claro… Se precisar, só chamar. – sorriu torto, todo sedutor.

- Jacob, sou casada com seu chefe. Cuidado com sorrisos. – alertei suavemente e ele saiu da sala, sorrindo amarelo.

O resto da manhã passou rápido. Recebi a visita de James, Emmett e Jasper. Eles fizeram uma zona na minha sala, me provocando sobre as fotos da lua-de-mel e tudo mais. Edward estava em reunião com alguns acionistas de outra empresa que ele possuía a maior parte. Liguei para meus pais e minha mãe expressou tanta saudade e alegria que cheguei a ficar comovida. E liguei para a família de Edward, visto que nós nos esquecemos de fazer isso ontem. Fomos convocados para um jantar de família – incluindo a minha – hoje à noite, na casa de Esme.

Mamãe urso estava à solta.

Na hora do almoço, fui surpreendida por receber flores. Eu fui correndo na sala de Edward, com o cartão na mão para enchê-lo de beijos. Eu não precisava abrir nada para saber que era dele. E ele quis fazer isso em menção da nossa briga de mais cedo. Entrei na sua sala com um sorriso enorme, que assim que ele me viu correspondeu e seu olhar pousou no buquê.

- Seu pai te enviou flores? – perguntou afastando a cadeira da mesa.

Como?

- Meu pai? Por que meu pai enviaria flores? – perguntei confusa

- Acabamos de chegar de viagem, ele quis te fazer uma surpresa? – perguntou retoricamente.

- Não foi você quem me enviou essas flores? – perguntei baixinho, quase envergonhada.

- Não. – respondeu levantando-se – Quem te enviou?

Abri o cartão lentamente, um pouco receosa, mas quando finalmente li, era Jordan. Um cartão felicitando meu casamento. E também dizendo que eu estava muito bela em todas as fotos na praia que se arrependia de nunca ter me levado à praia. Eu estava sem ar e mortificada com o conteúdo e Edward estava ficando impaciente, esperando resposta.

- De quem é, Bella?

Eu não ia começar outra briga.

- Hum… É do meu pai mesmo. – murmurei amassando o cartão – Vou pedir para Charlotte um vaso. – disse e virei devagar, saindo da sala. O primeiro lixo que encontrei no corredor dos banheiros, joguei o papel amassado e as rosas.

Eu estava um pouco temerosa por mentir, mas a verdade iria causar uma briga enorme. Lavei meu rosto e minha nuca, respirei fundo algumas vezes e resolvi sair do banheiro quando o vi, parado atrás de mim.

- O que você está fazendo aqui? – perguntei tentando soar desinteressada e brincalhona.

- Jordan enviou flores a você. – Edward disse lentamente, mostrando o cartão amassado na sua mão. – E você escondeu isso de mim.

- Edward… Eu não quero brigar de novo. – sussurrei ainda olhando-o pelo espelho.

- Esse é o cara que você ficava antes de mim? – perguntou ainda um pouco sério.

- Era… Terminei com ele quando… Nós começamos. – respondi sinceramente – Nunca mais o vi ou sequer falei.

- Por isso da surpresa em receber as flores? – perguntou baixo, se aproximando de mim e envolvendo os braços na minha cintura. Fechei os olhos e consegui me acalmar com seu toque. – Esse cara está te perseguindo?

- Só enviou isso hoje.

- Se ele fizer algo, você promete me contar? – perguntou baixinho.

- Prometo. – respondi convicta – Desculpa por mentir. Eu só não queria brigar mais hoje… Muito menos aqui no trabalho e eu duvido que você iria se controlar.

- Eu sei… Sinto muito. Não consigo me controlar quando se trata de você. – suspirou beijando meu pescoço – Vamos almoçar? Esquecer isso e ir almoçar?

- Esquecer e almoçar. – sorri virando-me para abraça-lo.

- Sem mais brigas hoje. – sussurrou beijando-me

- Sem mais brigas hoje. – repeti sorrindo.

Nós passamos o dia bem, separados por conta do trabalho, mas o almoço foi tranquilo. Ele realmente tinha preparado algo para pedir desculpas. Reserva no The Met temporário da cidade. Era apenas a equipe do Chef passando um tempo no hotel Hilton. Eu tinha confessado na Alemanha que estava louca por um bife mal passado e batatas assadas e foi justamente isso que tinha pronto me esperando.

Trabalhei o dia inteiro revisando tudo que aconteceu e Jacob tinha feito um excelente trabalho. Com algumas falhas, mas nada difícil de contornar. Deixei notas e conversei com estagiários e dei novos direcionamentos… Nesse meio tempo, deu a hora de ir embora. James passou avisando que ia buscar a desocupada da minha melhor amiga em casa e iria nos encontrar na casa de Esme.

- Sr. Masen, é um prazer tê-lo de volta. – Jéssica Stanley sussurrou, mas eu tinha ouvido de tuberculoso. Edward estava sério, tentando adivinhar minha reação.

- Jéssica Stanley! – chamei sua atenção – Se quiser ter o prazer de vê-lo todos os dias, é melhor começar a usar seu uniforme e manter seus prazeres para si. Qualquer movimento não profissional da sua parte eu estarei de olho. Estamos entendidas?

- Sim Sra. Masen. Estamos entendidas. – respondeu-me baixo sem me olhar. Edward tinha a expressão divertida e me ajudou a colocar o casaco.

- Eu sou o único ciumento dessa relação? – provocou no elevador.

- Cale-se. – resmunguei – Pede para algum segurança levar meu carro pra casa?

- Claro, teimosa. Se não tivesse saído rebolando toda irritadinha. – brincou me abraçando e beijando minha bochecha.

- Engraçadinho. – murmurei irritada

No caminho para casa de Esme, Edward resolveu que iria me irritar. Ele estava do piadista ao tarado sem escrúpulos em dois segundos. A coisa mais imbecil era que eu achava engraçado e por isso ficava mais irritada ainda. E fora que estava com fome também… O almoço já tinha ido para o espaço.

- Ei, psiu, gatinha… – Edward me chamou quando estacionou o carro porque eu estava ignorando-o tinha uns bons dez minutos – Chegamos, vai me dar um beijo pelo menos? Eu estava com planos de chegar em casa e fazer sexo até amanhã, mas você decidiu aceitar jantar.

- Hum… Segura aqui. – disse jogando minha bolsa no seu colo e ergui meu corpo para tirar a calcinha. Puxei minha bolsa de volta e guardei. Edward estava chocado demais para falar algo. – Isso é para passar a noite inteira sabendo que eu estou sem calcinha e pode acontecer de que eu vá me tocar no quarto de hóspedes.

- Posso assistir? – perguntou baixinho.

- Não. – sorri satisfeita, saindo do carro.

Quem vai rir agora? Palhaço!

- Bella! – Esme abriu a porta e desceu os degraus para me abraçar. Cheguei a cambalear com o peso do corpo dela e Edward segurou nós duas, abraçando também – Saudade de vocês! Vocês voltaram ontem mesmo?

- Chegamos, mãe. Ontem de manhã. – Edward respondeu sorrindo, dando um beijo no rosto dela.

- Venham! Renée e Charlie já estão chegando! – Esme disse no modo tagarela, tomou fôlego e saiu rebocando a gente, começando a contar tudo que tinha acontecido no tempo que estivemos fora. – Eles chegaram!

Fui abraçada e beijada por todos. A família gostava de muitos toques, por isso que Edward sabia invadir o espaço pessoal de alguém sorrateiro feito um rato. Rosalie estava com Ethan e eu me surpreendi pelo menino estar maior e abrir um sorriso enorme ao ver Edward. Ele logo pediu colo. Foi uma cena bonitinha demais e Edward ficou todo bobo.

- Contem-me sobre a lua-de-mel! – Alice pediu animada, quicando no sofá.

- Não quero ouvir. – Bree tapou os ouvidos e nós sorrimos – Editem algumas partes. Eu já vi fotos o suficiente.

- As fotos… Bella resolveu brincar de índio na Espanha. – Edward bufou

- Edward não sabe compartilhar… Com um sol daquele você iria fazer o mesmo, Bree. – brinquei aceitando uma taça de vinho de Carlisle. Edward me lançou um olhar inflamado e cruzei as pernas, sorrindo. Ele se moveu desconfortável. – Foi muito divertido.

- Imagino que sim. – Emmett disse tossindo e Rosalie acompanhou. – Edward nunca ficou tanto tempo afastado da empresa… Ele se divertiu.

- Eu estava de lua-de-mel, seu burro. – Edward disse revirando os olhos. – Logo vamos marcar a segunda.

- Mas já? – Esme riu – Quanto desejo.

- Vamos mudar de assunto? Eu sou a caçula aqui… Já basta minhas amigas tendo sonhos eróticos com meu irmão! – Bree gemeu escondendo o rosto.

- Ah é? – Edward sorriu todo se achando e eu chutei sua perna – Ai, porra! É uma informação interessante. – gemeu sentando-se do meu lado e Ethan pulou para o colo da mãe.

- Meus amigos também acham a Bella bem gostosa. – Bree comentou sorrindo para o irmão e ele fechou a cara.

- Viu, também tenho meu fã clube. – murmurei baixinho e ele riu.

- Eu sou o presidente e o único membro. – respondeu inclinando-se para me beijar.

- Acho bom… – sussurrei sentindo entrelaçar nossas mãos e meu coração se aqueceu com isso.

- Gente, a lua-de-mel já acabou. – Carlisle brincou e eu deitei minha cabeça no ombro de Edward, enquanto me abraçava.

- Papai, você vive dizendo que ainda está de lua-de-mel com a mamãe. – Bree comentou com cara de nojo – Sério, não dá para passar o final de semana em casa com esses dois. Preciso arrumar um namorado!

A cena engraçada foi todos os homens gritando ao mesmo tempo, repreendendo-a. Edward ficou com o corpo tenso.

- Arrume um namorado, Bree. Arrume para você ver. – Edward disse tenso apontando o indicador. Carlisle estava bem sério, assim como Emmett e Jasper. Bree não fez de rogada e encarou todos.

- Credo… Imagina quando for a filha dele? – Alice riu balançando a cabeça. – Comigo você não foi assim.

- Querida, você é assustadora sozinha. – Jasper provocou e ela deu língua com todo mundo rindo.

- Minha filha só vai namorar aos 30 anos. E fazer sexo depois do casamento. – disse o emburrado.

- Coitado. – murmurei baixinho e ele me olhou feio. – Que foi?

- Edward, você só fez sexo depois do casamento? – Rosalie provocou querendo mostrar que isso não iria acontecer.

- Tecnicamente, sim. – respondeu com uma cara de todo espertinho. Eu fiquei vermelha instantaneamente. Houve um silêncio na sala, provavelmente para a informação fazer sentindo.

- Espera aí… Deixa ver se entendi. – Emmett comentou sério com uma lâmpada ascendendo na cabeça – Vocês só consumaram, de fato, a relação na lua-de-mel?

- Uhum. – Edward sorriu orgulhoso de si – Se eu fiz isso, minha filha vai fazer.

- Querido… – acariciei seus cabelos ternamente – Então, direi a ela que ela pode fazer sexo com quem quiser, e quando noivar, entrar no celibatário até o casamento.

- Bella! Jogue no meu time! – Edward resmungou.

- Eu ainda estou pensando em como você conseguiu manter esse menino na linha durante o namoro e noivado. – Esme murmurou surpresa.

- Mãe, assim parece que fui um galinha insaciável.

- Você era um. – Rosalie, Alice e Bree disseram em uníssono.

- Viu, querido? Casamento fez bem a você. – dei tapinhas na sua mão – Agora, a parte insaciável é só minha.

- Egoísta. – Edward murmurou, mas eu sabia que ele estava só me provocando.

- Vocês dois são tão bonitinhos juntos. Tão doces. – Esme suspirou com o olhar brilhando.

Foi a minha vez de bufar.

- Você nunca nos viu brigando. – murmurei e eles gargalharam alto. Edward pareceu ligeiramente envergonhado.

Nesse momento meus pais chegaram com beijos, abraços, risadas e felicitações. Nós nos preparamos para jantar em um clima muito gostoso. Eu não sabia que conviver em família grande era assim.

Esme tinha mandado preparar variados tipos de massa porque não sabia exatamente o que queríamos comer. Foi um pouco engraçado Emmett e Jasper dando conselhos a Edward sobre brigas, TPM, choros, reclamações, greve de sexo e qualquer outra coisa comum no casamento. Até meu pai entrou na brincadeira, deixando minha mãe irritada com ele.

Alias, todas as mulheres casadas da mesa ficaram irritadas. Exceto eu e Bree que rimos e opinamos no comportamento deles.

- Obrigada, estou tocado com a consideração de vocês. Eu sou um bom marido, não sou, amor? – Edward disse naturalmente e meu coração bateu tão forte no peito.

- Claro que sim. – sussurrei e ele riu, me beijando docemente.

Até que ponto meu coração vai sair inteiro disso tudo?

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