Confiram abaixo um novo capítulo de “Undisclosed Desires”. Caso você não tenha lido os capítulos anteriores, clique aqui e leia.

O amor é um trem sem freio. Chega de repente, fazendo barulho, te atropela, te quebra, te arranca o ar”

Mariana Cardoso

~XX~

POV Bella

Edward comprou um cachorro. Sim, ele comprou uma yorkshire pequena, fofa, toda piruinha de presente pra mim. Depois de passar o dia inteiro trabalhando juntos, ele disse que precisava sair e me encontrava em casa. Eu vim cuspindo fogo e com raiva dele nem sequer mencionar o que iria fazer na rua. E mais tarde, quando estava saindo do banho, um latido me chamou a atenção. Era o filhote mais fofo do mundo! Eu apertei tanto a cachorrinha que ela agora me seguia por todo lado…

Em compensação… Ela não deixava Jim em paz! Era gato miando com raiva de um lado e cachorrinha pimenta latindo do outro. Edward achava divertido ver Jim correr desesperado pela casa. Essa manhã o encontrei em cima do móvel da cozinha com a pequena sem nome ainda pulando e latindo para brincar. Ela adorava brincar.

Meu devaneio foi cortado com a campainha tocando. Dora saiu da cozinha me deixando sozinha com a cena inusitada. Era um sábado chuvoso Edward ainda estava no escritório falando com James. Nós nem sequer tínhamos tomado café da manhã.

- Bella? – era a voz da minha mãe.

- Mamãe! Que surpresa! – gritei animada e a pequena peste começou a latir quicando pra trás – Quieta.

- Oh, quem é esta fofura? – Renée nem sequer me abraçou e ajoelhou para brincar. Eu precisava escolher um nome pra ela. – Tão bonitinha de lacinho rosa!

- Muito fofa, não é? – suspirei animada e Jim se enrolou nas minhas pernas pedindo carinho. Agachei para afagar suas orelhas e ele fechou os olhos de preguiça, fazendo dengo. – Agora fala comigo, mãe! – resmunguei

- Oi minha princesa! – Renée me abraçou apertado – Estava com saudades de você e vim te ver, fiz mal?

- Pode vir sempre que quiser, mamãe. – suspirei abraçando-a. Por que cheiro de mãe é sempre bom? – Cadê papai?

- Saiu com Harry e outros amigos. Dia de garotos. – revirou os olhos brincando. – E seu marido?

- Meu marido tem nome e se chama Edward. – ralhei na defensiva. Renée ainda estava um pouco apreensiva – Já deve descer. Estava ao telefone.

- E desde quando você tem um cachorro e um gato?

- Edward me deu ontem. Foi de surpresa e eu amei tanto! – sorri agarrando meus dois bichos. Jim se desvencilhou de mim e foi embora correndo. A pentelha foi atrás latindo.

- Opa… Quase fui atropelado. – ouvi Edward dizer – Amor?

- Cozinha! – gritei de volta e ele apareceu sorrindo para Renée.

- Olá sogra. – disse todo galanteador, nesse momento nem minha mãe resistia. Edward era abusado demais. – Como vai?

- Bem, querido. Vejo que vocês estão bem…

- Fazer o quê? Agora tenho que aturar sua filha até a morte! – provocou e eu dei língua.

- Não parece o mesmo que estava ontem “amor, vem dormir… Amor não sei o quê”. – murmurei e Edward deu dois passos longos me agarrando.

- Delícias do casamento. – Renée sorriu verdadeiramente para nós dois pela primeira vez.

- Vamos tomar café, mãe.

- Bella, são onze horas. – Renée riu

- E desde quando sua filha sai da cama antes disso? – Edward perguntou retoricamente.

- Desde sempre. – Renée riu me provocando.

- E depois quero te mostrar a casa… Acho que não conhece toda, não é? Papai precisa conhecer a biblioteca de Edward. – tagarelei ignorando a troca entre os dois puxando-a para o lavabo e Edward ficou rindo, indo para cozinha.

Minha mãe passou o dia inteiro comigo. Nós caminhamos pela propriedade, mostrei os jardins, casas de visitantes, dependência de empregados, quadra de tênis, piscinas aquecidas internas, academia, piscinas externas e a parte interna dos cômodos principais. Ela riu muito alto quando viu meu closet. A maior parte era de roupas minhas… Edward tinha comentado que iria diminuir o quarto para aumentar nosso armário porque eu roubei boa parte do espaço das suas roupas.

- Isso é loucura, Bella. Você sempre comprou mais do que precisava… Mesmo que o dinheiro fosse por conquista sua.

- Foi por impulso. – murmurei envergonhada – E eu continuo pagando minhas contas, mãe.

- Continua? – inquiriu curiosa.

- Eu preciso fazer isso por mim mesma… – dei de ombros – Eu amo trabalhar e torrar meu salário.

- Eu aprecio que isso não tenha mudado em você… Mas você mudou. – disse clinicamente.

- É? Como? – debochei

- Está apaixonada. Feliz e apaixonada.

- Eu já estava apaixonada antes. – murmurei irritada e mentindo.

- Tanto faz… Agora, seus olhos dizem isso. A maneira que vocês se olham é de criar borboletas no estômago de qualquer um. – sussurrou encantada.

- Ele me olha assim também? – perguntei não resistindo ao impulso da curiosidade.

- Você não consegue ver, não é? Está insegura com algo?

- Às vezes sim… Às vezes não. Edward é muito bonito… Muitas mulheres. Nós não brigamos por questões de morar juntos… Ele sabe que eu odeio bagunça e ele também odeia, então, nos damos bem nisso. Ele tem seu espaço no banheiro e não invade o meu. Ele sabe o lugar da toalha molhada e nunca encontrei a tampa do vaso levantada. Nós comemos juntos e ele come o que determino na casa… Ele me deixa reinar do jeito que gosto, mas o ciúme…

Eu me vi desesperada por compartilhar isso com alguém. Eu poderia conversar com Victória, mas ela sabia da realidade do nosso casamento e iria querer cavar mais fundo meus sentimentos. E eu nem sequer estava disposta a nomeá-los. Muito menos descobri-los. Eu só queria alguém ouvindo que Edward era um ótimo marido, mas tão ciumento quanto… Eu.

- Nossas brigas são altas, de gritaria. Sem xingar ou agredir o outro. Mas são sérias… Ele fica cego de ciúmes… Tinha que ver a cara de cão de guarda sem vacina contra raiva que ele fez quando Paul veio aqui em casa. – murmurei arrepiada. Eu também tinha ficado muito excitada. Era uma doença. E Edward com raiva me lembrava de força… Força dos seus tapas ou dos lenços… Ou da força que ele empregava ao me segurar… Contra a porta do banheiro… Estocando forte…

- Bella! Acorda! – Renée gargalhou – Sexo de reconciliação funciona por aqui.

E como!

- Pois é. – disse envergonhada.

- Ciúme é normal… Quer dizer, em grau intenso é preocupante. Vocês tem pouco tempo de casados e vão se ajustar com o tempo. – Renée me tranquilizou e eu a abracei apertado – E seu aniversário… Como iremos comemorar?

- Ainda falta bastante mãe… E eu nunca faço algo demais. – dei de ombros

- Você é a Sra. Masen… Duvido que Edward não fará algo.

- Um jantar em família e está bom. Assim como foi o dele, bem íntimo.

- Tudo bem… Preciso ir. Quero preparar o jantar do seu pai. – sorriu docemente me beijando na face, antes de ajeitar a roupa e sair. Continuei sentada no chão do closet, perto do sofá. A pequena pentelha entrou correndo e pulou no meu colo. Jim veio depois, calmo, subindo no sofá e deitando perto da minha cabeça.

- Jim, o que você acha de escolhermos um nome para sua amiguinha? – perguntei suavemente e ela me olhou. Seu pêlo era caramelo e seus olhos castanhos claros. Ela tinha dentinhos pequenos por ter apenas um mês e meio de idade. – Que tal Melody? Ela não tem cara de Melody? – perguntei e Jim soltou uma respiração quente, ronronando e provavelmente me ignorando. – Será Melody.

Resolvi que ia tomar um banho e depois procurar Edward. Tirei Melody do closet porque filhotes costumam amar testar os dentes em sapatos e nos meus sapatos isso não iria acontecer. Fiquei preocupada com o silêncio. Edward era tagarela e implicante o tempo todo… Talvez ele tivesse apenas distante para dar privacidade à visita da minha mãe, mas, ao mesmo tempo, meu coração estava um pouco apertado.

Só com uma calça de moletom e camiseta, cacei-o pelos cantos óbvios, mas só na sala de cinema que o encontrei e meu coração deu uma batida forte para depois congelar. Ele estava assistindo o vídeo… Do pai dele.

Edward… Eu tenho muitas expectativas para sua vida e a maior delas é que você seja o homem que eu fui. De negócios e poderoso. Que encontre a real companheira perfeita para desposar e fazer dela a mulher mais feliz do mundo. Está na sua essência ser líder. Ser o primeiro. Se você está assistindo essa fita porque a encontrou, foi porque morri. Não sei se amanhã eu descobrirei quem tanto quer me matar ou vou morrer sem saber, de qualquer modo, espero que você saiba. E espero que esteja casado. Feliz. Faça jus a Masen uma corporação de tamanho ideal que seu sobrenome pesa. A vida não é perfeita, filho. É dolorosa e confusa por nossas ações descontroladas… Ame quem corre do seu lado. Persevere, converse. Não deixe escapar das suas mãos tesouros preciosos… E eu não estou falando da sua herança. Saiba que você e sua mãe são os amores da minha vida. Eu te amo, pequeno príncipe”.

Eu ouvi um soluço alto, dolorido, que quebrou meu coração em mil pedacinhos pequenos. Corri até Edward, tropeçando na escuridão e joguei meu corpo contra o seu. Ele estava tremendo em um choro infantil. Parecendo um menininho assustado, com medo do escuro. Eu nunca o tinha visto tão quebrado e ele me abraçava tão apertado que teria muitos hematomas. Não sei quanto tempo ficamos ali… Pareciam horas, mas poderiam ser minutos.

- Eu nunca mais o vi tão perto… Tão vivo. Ele simplesmente se foi… Estava chovendo… Ele não voltou para me buscar… Eu fiquei esperando e ele não voltou.

Eu vi um garotinho ruivo, sentado a janela, esperando ansiosamente o pai voltar. Eu vi lágrimas grossas escorrer pelo rosto de belos olhos verdes esmeraldas. Senti um aperto no coração e sequei suas lágrimas com meus polegares. Seu olhar era tão martirizado eu o beijei nos olhos.

- Eu sinto falta dele. Ele estava tão bonito… Tão saudável. Reparou que somos parecidos? – sussurrou no escuro olhando para a tela congelada na imagem de um homem bonito de arrancar calcinhas, viril e poderoso. Seu olhar era altivo, arrogante e intimidador. Sua postura era ereta, de classe.

Voltei minha atenção para o homem à minha frente. Tão iguais…

- Edward… Está tudo bem se sentir assim. É normal sentir falta dele… E nós sabíamos que iria ser difícil revê-lo. – sussurrei acariciando seu rosto – Ia doer, Edward. E vai doer.

- Muito… Dói muito. – confessou desviando o olhar.

Em anos trabalhando juntos, o arrogante, prepotente, sexy e irritante estava guardado em um saquinho, no fundo da sua mente. Eu tinha um menino carente na minha frente, confessando sua dor.

- Faça amor comigo… – Edward pediu me puxando para seu colo com força. – Eu preciso de você, Bella. Só de você.

Edward estava tão quebrado… E implorando por atenção que não aguentei negar. Bati meus lábios contra os seus, deixando-o levantar minha blusa e por um breve segundo, afastei e voltei a atacá-lo com força e desejo. Edward estava desesperado para livrar da sua própria blusa. Seus dentes estavam no meu pescoço e ombro, realmente me marcando com força. Quase arrancando meu sangue e eu sinceramente não me importava.

Era uma guerra de línguas e meu quadril se movia como se tivesse vida própria na sua ereção. Minha unha estava na sua nuca e meus lábios estavam nos seus dentes, presos na força. Na excitação.

Do seu colo, fui para no chão, com ele puxando minhas calças do corpo junto com a calcinha. Ele livrou das suas próprias roupas e deitou em cima de mim, me invadindo sem piedade. Estocando forte, rápido, cruzando minhas pernas na sua cintura e agarrei seus ombros, sentindo minhas costas rasparem contra o carpete áspero.

- Só preciso de você… – disse roucamente, com a voz pingando sexo ao meu ouvido, procurando meus lábios novamente. Eu não conseguia controlar os gemidos altos que surgiam na minha garganta. – Só você. Diz que você é minha.

- Edward… Eu sou sua. Só sua. – gritei abraçando seu corpo com força.

- Minha… Só minha. – grunhiu e eu senti sua própria libertação me preencher. Não foi preciso contar até dois para meus músculos se contraírem e gritar entre espasmos deliciosos. – Bella…

No chão, suado, conectados permanecemos a noite inteira. Ele dormiu com as pernas entrelaçadas às minhas, segurando minha cintura, com o rosto enterrado no meu pescoço. Ele murmurou coisas incoerentes durante todo seu sono e eu nem sequer cheguei perto.

Eu vi quando abriu os olhos sonolentos, parecendo mais limpos que na noite anterior, com o rosto marcado pela noite muito mal dormida. Edward sorriu e mexeu no meu cabelo. Ganhei um beijo delicado na bochecha.

- Bom dia, minha rainha. – sussurrou me apertando.

- Bom dia, meu rei. – entrei na pilha virando-me na sua direção – Vamos para o quarto?

- Vamos… Acho que estou velho para dormir no chão. – murmurou levantando-se e me ajudando a levantar.

Nós desligamos toda aparelhagem, tomei cuidado de pegar a fita e guardar enquanto ele se vestia. Ele foi direto para o quarto. Também me vesti e fui para a cozinha, passando no escritório no meio do caminho e trancando a fita no cofre.

- Bom dia, Dora.

- Oh… Bom dia! – disse assustada com minha presença tão cedo fora da cama.

- Você pode preparar uma bandeja com coisas gostosas para levar para o quarto? Nós vamos comer na cama hoje e não estamos para ninguém, ninguém mesmo. Incluindo nossa família.

- Sim senhora.

- E faz um suco de maracujá forte pra mim, por favor. Se puder, joga vodka dentro. – murmurei irritada com minha falta de sono – E Edward deve querer comer bacon com ovos fritos. Eu quero só omeletes.

Dora começou a trabalhar agilmente na cozinha com mais duas funcionárias e eu subi para o quarto. Edward estava na cama, acordado, mas debaixo das cobertas com a tevê ligada. Deitei do seu lado em silêncio, reparando que ele estava assistindo Bob Esponja. Eu ri de algumas cenas e ele esboçou sorrisos calmos com a idiotice.

Dora chegou com o café e saiu tão rápido quanto chegou. Eu quase gemi em contentamento com suco com vodka. Edward não precisava saber que estava ingerindo álcool aquela hora da manhã. Comemos em silêncio, assistindo desenhos animados.

Consegui tirar um cochilo embolada nas cobertas e nele. Fui acordada um tempo depois e nós fizemos sexo a maior parte do dia. Edward parecia não pensar em outra coisa a não ser isso.

.~.

Os meses seguintes foram estranhos. Enquanto Edward e eu ficávamos cada vez mais próximos, impossíveis de ficar desgrudados, ele nem sequer comentou qualquer assunto sobre o pai dele. Eu estava preocupada e abordei várias vezes o assunto sendo ignorada ou beijada. Eu não sabia se tinha forças para questionar ou brigar. Nós trabalhamos muito e ele parecia querer muito não falar sobre isso.

Nova vida sexual estava cada dia mais louca. Edward me fez quebrar a regra de nada de sexo no trabalho e nós passamos muitos fins de tarde explorando o couro italiano do sofá. No carro e até no banheiro. E mesmo com toda essa loucura, estávamos conectados. Cada dia mais unidos… Como imãs.

- Melody, quieta… Mamãe está dormindo. – Edward sussurrou – Solta minha calça, maluca. – disse baixo e eu ri, escondendo meu rosto no travesseiro. Eu queria descobrir o motivo dele estar acordado – Amor… Acorda.

- Hum? – murmurei ganhando um beijo – São que horas?

- Nove horas… Não me mate… Só precisamos sair.

- É meu aniversário… Me deixe dormir.

- Vamos lá… Por favor. – murmurou puxando o edredom de mim – Caralho, Melody, me solta.

Eu podia ouvir seus saltos ansiosos para me ver. Jim estava na cama, eu podia ouvir seu ronronar próximo.

- Não fala assim com ela… – bocejei virando-me na cama para vê-la – Oi fofinha, papai está sendo mal com você?

Melody latiu repetidas vezes, quicando no lugar. Edward podia brigar com ela por suas traquinagens, seja roer um tapete com comer um chinelo, Melody ficava esperando na porta Edward chegar, querendo carinho. Ela só vinha brincar comigo depois de rolar com ele. E Jim ficava deitado, a espreita, esperando sua atenção. E quando ganhava era um mimo só.

- Não, estou querendo te acordar enquanto ela come a barra do meu jeans. – murmurou afastando-a da beirada babada – Que pestinha. Agora vem, levanta. Alice vai te ajudar com a roupa a vestir… Encontro você daqui a pouco.

- O quê? Edward? – sentei na cama exasperada e Alice invadiu o quarto nesse momento.

- Bom dia Bella! – gritou animada – Oi fofura! – brincou com Melody. – Agora, vamos lá. Levante. Você tem direito a um beijo no seu marido e vamos para o chuveiro.

- Amor? – choraminguei. Passar a manhã com Alice era o pior aniversário. A baixinha era maníaca por beleza.

- Eu prometo que ela vai se comportar. Bree e Rosalie estão subindo. – Edward respondeu sorrindo e me beijou docemente – Prometo que valerá a pena.

- Mas…

- Chega, tchau Edward! – Alice gritou empurrando o irmão para fora do quarto – Anda, Bella! Vai tomar banho!

Resignada, fui tomar banho com Alice tagarelando sobre o lindo vestido que iria usar e ouvindo seus gritos felizes no meu closet. Melody e Jim estavam debaixo da cama, só com os focinhos aparecendo, com medo do furacão que tinha invadido o espaço. Rosalie e Bree estavam rindo e quando cansaram, saíram do quarto de fininho.

- Que vadia, ela não cala a boca nunca? – Victória entrou com uma taça de champanhe que virei de uma só vez – Isso não era água, só para avisar.

- Eu ouvi isso! – Alice gritou ultrajada – Vou verificar umas coisas… Quando ficar pronta é só descer.

- O que meu marido está aprontando? – perguntei irritada

- Uma boa surpresa. Marido apaixonado é outra coisa. – respondeu dando-me um olhar de aviso – Já esperei demais, Bella.

- Eu sei, eu sei. É real agora, ok? – sussurrei irritada

- Isso eu estou vendo, sua boba. Quero saber de sentimentos… Vocês já?

- Não… Nada com nome você sabe o quê ou dizendo um para o outro. Eu sou sua rainha, sua vida, seu amor… Mas nada de eu te amo.

- E as investigações? Edward continua se negando? Eu estou preocupada com meu primo…

- Só você? Toda vez que conversamos, termina em nós dois ofegantes e felizes com sexo.

- Bella, desde a noite que ele chorou como um bebê no meu colo enquanto você estava trabalhando, venho considerando com James uma terapia. É muita pancada de uma vez só. Meu primo é a família que eu tenho… Eu não posso perdê-lo. – Victória sussurrou com os grandes olhos azuis mostrando preocupação.

- E esse seu primo é o meu marido, Vic. Você acha que estou gostando de vê-lo se negar dessa maneira? Eu entrei nessa para ajudá-lo e me apaixonar não estava na equação. Percebe como tudo mudou? – sussurrei frenética, quase chorando.

- Tudo bem… Eu entendo, mas por que você não diz a ele o que sente? Bella, você já passou do estágio da paixão tem tempo! Qualquer garotinha apaixonada teria fugido.

- Victória, por favor! – pedi exausta.

- Tudo bem. Vamos aproveitar seu dia. – sorriu me abraçando – Você sabe que amo vocês, não sabe?

- Sei sim. – sorri beijando-a na bochecha – Obrigada por tudo… Me ajude a me maquiar? Não sei o que me aguarda lá fora.

Victória me ajudou com a maquiagem e o cabelo, porque se arrumar sem saber para o que, era muito ruim. Ela me convenceu a usar saltos com o vestido branco com detalhes dourados bem claro, justo no busto e na cintura, tendo uma saia rodada e curta. Minhas pernas estavam todas de fora. Era uma excelente visão.

Nada me preparou para encontrar o jardim inteiro pronto para uma festa em plena luz do dia. Estava um pouco frio do lado de fora, mas Alice tinha pensado até em um casaquinho para usar com o vestido. Não sei como não acordei durante a montagem de tudo isso. Será que foi por isso que Edward esvaziou uma garrafa de vinho comigo?

Minha mãe, meu pai, meus tios – que quase nunca via na vida – primos, sogros, cunhados e alguns raros colegas da empresa, incluindo Charlotte com o marido e Jacob com uma bela morena nos braços. No meio disso tudo, todos eles estavam cantando parabéns animadamente e Edward estava lá, sorridente. Ao lado de Elizabeth.

- Que surpresa! – gritei animada, sendo abraçada pela minha mãe. Ela me desejou parabéns e mais um monte de coisas fofas que só mãe sabe falar – Obrigada.

- Minha garotinha! – Charlie me puxou para um abraço apertado. – Parabéns meu bebê. Muitas felicidades, sorte e sucesso.

- Sua garotinha com 27 anos agora, pai. – provoquei

- Acho preciso ser avô então. – disse sério

- Devagar, velho. Você não é engraçado. – respondi rápido, mas o bigode trêmulo denunciou a risada. – Sem graça.

Depois de ser abraçada e beijada, eu me sentia louca por um banho. Eu sei que era meu aniversário, mas meus tios exageraram nos toques e beijos. Por Deus, precisa dar um abraço por cada ano da minha vida?

- Parabéns… – Edward sussurrou no meu ouvido, me abraçando por trás.

- Obrigada… Mas nós comemoramos ontem, lembra? – sorri e me arrepiei ao mesmo tempo em que lembrei a noite anterior. – Quando você resolveu preparar isso tudo?

- Na semana passada, estava tentando pensar o que fazer para comemorar… Até que a ideia de uma festa surpresa! Sua família e tudo mais… – sussurrou beijando minha bochecha. – Você gostou?

- Claro que sim… Apesar de muitos abraços e beijos. – sorri virando-me para abraçá-lo – Você sabe como me fazer feliz.

- Eu te faço feliz, Bella? – perguntou com os olhos brilhando de surpresa.

- Você me irrita na maior parte do tempo, mexe nas minhas coisas, implica comigo, me irrita e me morde quando estou distraída. – provoquei e ele sorriu um pouco convencido – Mas você me faz feliz, muito, todos os dias.

- Mesmo nesses últimos meses? – perguntou baixo – Eu sei que tenho sido insuportável referente a aquele assunto.

- Mesmo nesses últimos meses… Que são os primeiros do nosso casamento. Edward, você precisa falar comigo, você confia em mim? Eu não vou permitir mais isso entre nós…

- Você tem razão. – murmurou encostando a testa na minha – Nós vamos conversar sobre isso. Eu prometo.

- Esse sim, será o melhor presente de aniversário. – sorri beijando-o enquanto ele me embalava no ritmo da música. Tinha uma banda ao vivo tocando Jazz.

- Feliz aniversário… Minha rainha. Você é tudo pra mim. – sussurrou no fim da música.

Meu bolo de aniversário era delicioso. Bolo branco com recheio de doce de leite com coco. Era simples, mas eu amava. A massa estava fina e geladinha como gostava. Todos pareciam satisfeitos com o almoço que foi devorado e com o bolo. Vários docinhos foram servidos com mimosas e aos poucos, a minha pequena festa foi se esvaziando e me vi encolhida de frio no colo de Edward.

- Nós precisamos terminar de ver a fita. – murmurei meio sonolenta. A quantidade de mimosas que tomei estavam fazendo efeito. – Melody, solta isso. – disse baixo, porém, firme. A cadela pentelha estava com uma flor na boca. O jardineiro a odiava.

- Precisamos… Jenks encontrou um nome. – murmurou – Uma criança com a mesma descrição nasceu no hospital de Seattle. A mãe foi listada como privada na época, nós não temos acesso ao nome por enquanto, mas as inicias do bebê era M. B. Mais tarde Jenks descobriu que era Marion Brandon.

- E algum registro civil de Marion Brandon?

- Não… No hospital mesmo foram assinados os documentos de adoção. Jenks disse que viria a Chicago assim que tivesse em mãos as cópias do documento.

- Entendi… Vamos entrar, estou com frio. – murmurei sentindo meu corpo se arrepiar com a brisa gelada.

- Tinha que escolher o vestido mais curto do armário… – ouvi-o dizer baixinho, mas não falei nada porquê o dia estava ótimo. Não queria e não ia brigar.

Edward foi para o escritório responder alguns e-mails que seu blackberry tinha apitado o dia inteiro e fui para biblioteca, escolher algum livro para passar o tempo. Foi uma surpresa encontrar Elizabeth, sentada sozinha na biblioteca. Olhando para o nada, com uma expressão triste e amargurada no rosto.

- Pensei que tivesse ido… – sussurrei observando-a.

- Eu ia… Mas sinto falta de viver nessa casa. – disse dando de ombros – Eu amava viver aqui. É como um castelo. Você tem seu próprio território… Você está reinando no meu espaço. Eu casei com Edward. Eu deveria viver aqui. – disse firme, ficando um pouco descontrolada – Mas meu Edward, meu pequeno príncipe, merece tudo que quiser… Tudo. Se ele quer viver aqui com você, que seja. – deu de ombros, reunindo suas coisas e passando por mim com um olhar frio como gelo.

Não sei quanto tempo se passou e eu continuei sentada ali, olhando para o nada. Melody estava rondando ao meu redor e Jim deitou do lado. Minha mente tentava processar as informações dessa viúva maldita… Será que quando meu Edward morresse, iria ficar assim? Presa a um amor bandido, obsessivo pela minha vida?

Porém, nós éramos diferentes. Edward estava comigo e não amava nenhuma outra mulher. E mesmo com toda insanidade nos rodeando eu era única.

- Bella? – Edward me gritou de algum lugar da casa – Amor, vista um casaco, vamos sair!

- Vamos aonde? – perguntei indo até ele no corredor – Deixa pegar minha bolsa. Meu casaco está lá embaixo…

- Apreciaria se você cobrisse suas pernas. – disse fazendo uma careta – Não quero ninguém distraído com minhas pernas bonitas.

- E qual é a ocasião? – perguntei cruzando os braços em desafio.

- Encontramos Thomas Stewart.

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