Faço a crítica abaixo para o pessoal que acha que o cinema de terror convencional morreu, e acha que hoje para que tenhamos algum susto com um filme, eles precisam ser realizados no estilo pseudodocumentrário (filmado com câmeras “comuns”).  Sugiro fortemente que assistam A Entidade (Sinister, 2012), e me digam honestamente se não deram um pulo ou dois da poltrona do cinema.

O filme não é uma obra-prima, e tem seus defeitos, claro. Porém o produtor Jason Blum (Sobrenatural) e o diretor Scott Derrickson (O Exorcismo de Emily Rose) conseguem mostrar que é possível fazer um filme com uma bela fotografia, e com elenco conhecido, e ainda sim ser assustador.

Vamos à premissa do filme, que mostra Ellison (Ethan Hawke), um escritor de romances policiais, que tenta voltar ao auge. E assim, ele escreve se muda para uma casa aonde aconteceu o assassinato de uma família. Já na casa, ele acha uma caixa com filmes em Super 8mm, que mostram o assassinato da família além de outros. O primeiro ponto positivo do filme é justamente Hawke, que se entrega completamente no seu primeiro papel em filme sobrenatural, o filme é todo centrado nele, sem muito espaço para o elenco de apoio, o que poderia arruinar o filme, porém como o excelente ator que é, Hawke dá as camadas certas ao personagem, criando uma personalidade própria e nos mostrando no filme suas obsessões e medos. Os filmes em Super 8mm também são ótimos, criam uma expectativa sobre o que vai acontecer, e a forma como são mostrados no decorrer do filme, criam o impacto certo no público. A trilha sonora é boa, assim como a fotografia,  porém o filme é refém dos clichês do gênero, ao ponto de ao longo do filme eu estava fazendo um joguinho sobre aonde os sustos aconteceriam. Acertei 90%, porém confesso que ainda sim, eu uma ou outra cena, fechei meus olhos, mesmo sabendo que algo aconteceria.

E baseado no que vi, acho que é isso que um filme de terror se trata hoje em dia, sustos! Afinal de contas, não é algo assustador que procuramos quando vamos ao cinema ver um filme sobre fantasmas, monstros ou algo parecido? E A Entidade entrega o que procuramos, com seus defeitos, clichês, mas também com bela fotografia, uma boa trilha sonora e um elenco de qualidade. E mesmo com a antecipação, dá sustos genuínos, até por que, se não fosse a antecipação, Atividade Paranormal não estaria na sua quarta sequência.

Por: Leonardo Lopes – Equipe TTBR

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